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Vírus zika pode ser utilizado contra o câncer

14 de Setembro de 2017

Todos se lembram do surto de zika vírus em 2015? O surto da doença tropical colocou o País em estado de alerta, principalmente pelo grande número de crianças nascendo com microcefalia. Como o vírus é capaz de atravessar a barreira placentária e chegar até o líquido amniótico, as crianças nasciam com um crescimento cerebral menor que o normal, atrasos no desenvolvimento, dificuldades de alimentação e perda auditiva. Este cenário perdurou até maio desse ano (2017), quando o País declarou o fim da emergência nacional para o controle do vírus. Eis que, meses depois, pesquisadores da Califórnia encontraram uma utilização benéfica e surpreendente do zika: ele pode ser utilizado para destruir uma forma agressiva de câncer cerebral.

O glioblastoma é uma forma de câncer cerebral que é letal na maioria dos casos. Menos de 1/3 das pessoas que adquirem este tipo de câncer conseguem sobreviver por mais de 2 anos, ainda que recebam tratamento adequado. No estudo em questão, pesquisadores utilizaram o zika vírus para induzir a apoptose (morte celular) de células com glioblastoma, cultivadas fora do corpo. Os testes foram realizados em um grupo de camundongos, onde uma parte das células com condição semelhante ao glioblastoma foram injetadas nos animais. Como resultado, após duas semanas de tratamento, os tumores em camundongos diminuíram significativamente, e os animais puderam viver mais.

A cirurgia e a quimioterapia, por mais eficazes que sejam, tendem a deixar algumas células cancerígenas dispersas no organismo, que continuam se proliferando e dando origem a novos tumores. O vírus se mostrou eficaz pois atinge somente um grupo de células do sistema nervoso, e pode matar as células do glioblastoma, resistente aos tratamentos. O próximo passo é incluir mutações no vírus que impeçam a infecção de se espalhar pelo corpo, já que ele ainda não é capaz de atacar um tumor em sua totalidade, e precisa ser utilizado com os tratamentos tradicionais já existentes. No Brasil são registrados cerca de 120 mil casos de glioblastoma todos os anos, e essa alternativa pode ser a solução para curar a doença e prolongar a vida de muitas pessoas que já foram afetadas.

Fonte: The Journal of Experimental Medicine.


 

Fique ligado! Questões sobre este assunto podem aparecer no ENEM e demais vestibulares. Veja abaixo uma questão que já apareceu na prova da UECE:

Atente ao seguinte excerto:

“[...] Sabe-se que as malformações congênitas, dentre elas a microcefalia, têm etiologia complexa e multifatorial, podendo ocorrer em decorrência de processos infecciosos durante a gestação. As evidências disponíveis até o momento indicam fortemente que o vírus Zika está relacionado à ocorrência de microcefalias. No entanto, não há como afirmar que a presença do vírus Zika durante a gestação leva, inevitavelmente, ao desenvolvimento de microcefalia no feto. A exemplo de outras infecções congênitas, o desenvolvimento dessas anomalias depende de diferentes fatores que podem estar relacionados à carga viral, fatores do hospedeiro, momento da infecção ou presença de outros fatores e condições desconhecidos até o momento. Por isso, é fundamental continuar os estudos para descrever melhor a história natural dessa doença”.

(Ministério da Saúde – Protocolo de vigilância e resposta à ocorrência de microcefalia relacionada à infecção pelo vírus zika, 2015).

Sobre a replicação viral, é INCORRETO afirmar que

a) o genoma viral é de DNA ou de RNA.   

b) na célula hospedeira o genoma viral direciona a síntese dos componentes necessários para a produção de novos virions, que são veículos para transmissão do genoma viral para a próxima célula hospedeira ou organismo.   

c) todos os genomas virais são parasitas moleculares obrigatórios que somente se tornam funcionais após se replicarem em uma célula.   

d) todos os vírus devem transcrever o tRNA que será traduzido pelos ribossomos do hospedeiro: então, os vírus são parasitas da maquinaria de síntese proteica da célula.   

 

 

Resposta: alternativa d. Os vírus inserem nas células hospedeiras o seu RNA mensageiro, ou a codificação para que a célula hospedeira produza o RNA mensageiro viral. O restante do equipamento molecular para a produção dos novos vírus é fornecido pelas células infectadas.




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