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Quais os efeitos do consumo de álcool no Sistema Nervoso?

11 de Janeiro de 2017

Férias de verão, praia, churrasquinho na piscina, happy hour com os amigos... Nesta época do ano não faltam pretextos para tomar uma com os amigos... Mas você já parou pra pensar nas consequências imediatas e crônicas do consumo de bebidas alcoólicas?

No verão é comum que as pessoas cometam algum excessos no consumo de álcool. © Syda Productions | Shutterstock.

Os principais efeitos do consumo de álcool são resultantes de alterações no sistema nervoso, especialmente no cérebro. O álcool é classificado como uma droga sedativa, e atua como um depressivo do sistema nervoso central quando consumido em altas doses. Dentre os efeitos mais conhecidos e facilmente observáveis, podemos citar as mudanças emocionais e comportamentais e uma redução na concentração, percepção e memória. A nível morfológico, um alto consumo de bebidas alcóolicas pode resultar em atrofia das células nervosas e redução dos tecidos cerebrais.

O consumo de álcool pode levar a efeitos imediatos e crônicos no sistema nervoso, especialmente no cérebro. ©solar22 | Shutterstock.

Bioquimicamente, porém, os efeitos do álcool são muito mais complexos, envolvendo alterações na liberação e na inibição de diversos neurotransmissores. Imediatamente após o consumo de bebidas alcóolicas, a dopamina tem sua produção aumentada, gerando efeitos prazerosos através da vias de recompensas. A liberação de noradrenalina e de opioides também contribui para os efeitos animadores do álcool. Outros neurotransmissores, porém, contribuem para os efeitos depressivos que acometem alguns indivíduos após a bebedeira, dentre eles o GABA (ácido gama-aminobutírico), responsável pelos efeitos de sedação e amnésia, e o glutamato, que bloqueia receptores excitatórios. Por fim, a liberação de serotonina é responsável pelos efeitos pós-bebedeira, especialmente os enjôos.

O consumo esporádico de bebidas alcóolicas resulta em efeitos imediatos e de curto prazo. O consumo crônico, porém, pode resultar em danos irremediáveis ao sistema nervoso e aos tecidos cerebrais, especialmente a região do cerebelo, responsável pela coordenação. Danos nesta região cerebral podem resultar em instabilidade e dificuldade em caminhar. Mas o álcool também pode resultar em danos aos nervos periféricos, resultando em dores, fraqueza, tontura e redução do tato. Em alguns casos mais raros, o álcool pode resultar ainda em danos a centros específicos do cérebro, levando a perda de funções mentais e ao desenvolvimento de distúrbios do sono e epilepsia.

O desenvolvimento de técnicas bioquímicas e moleculares tem facilitado a descoberta de novas vias nervosas afetadas pelo consumo de álcool, confirmando a hipótese de que as funções cerebrais dependam de um balanço delicado entre neurotransmissores excitatórios e inibitórios, sendo estes alterados a curto e longo prazo pelo consumo de bebidas alcóolicas. Compreender os efeitos do álcool sobre as vias bioquímicas do sistema nervoso pode contribuir para o desenvolvimento de uma futura cura para o alcoolismo crônico. Enquanto isso, a conscientização sobre o consumo saudável destas bebidas ainda parece ser a melhor solução para este problema.

Fontes: Alcohol Advisory Counciol of New Zealand e Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry.




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