BLOG

Por que a Síndrome de Down ocorre mais frequentemente com o aumento da idade materna?

13 de Abril de 2016

A trissomia do cromossomo 21 foi descrita pela primeira vez pelo médico britânico John Langdon Down – por isso recebeu o nome Síndrome de Down. Menos de cem anos após sua descrição, em 1933, alguns conceitos básicos da síndrome já haviam sido estudados, e já neste período a trissomia passou a ser associada ao aumento da idade materna.

Apenas na década de 1960, porém, alguns estudos iniciais confirmaram esta associação, ainda que os pesquisadores não conseguissem compreender seus motivos genéticos ou bioquímicos. Mais recentemente, análises em larga escala possibilitaram estudos dos gametas humanos e seus cromossomos, permitindo um maior entendimento das reais origens desta e de outras trissomias.

Atualmente, após a análise de milhares de diferentes casos, os pesquisadores puderam afirmar com maior embasamento que a grande maioria das trissomias deriva de erros meióticos ocorridos no material genético materno. De acordo com um estudo americano, por exemplo, apenas 5% dos casos de trissomia derivam de erros meióticos ocorridos no material genético paterno.

A trissomia do cromossomo 21 é a mais comum de ocorrer, e também a que leva a uma maior compatibilidade com a vida. Cópias extras dos cromossomos 13 ou 18 (Síndromes de Patau e Edwards, respectivamente), por exemplo, levam a alterações severas nos indivíduos, muitos deles não sobrevivendo por mais que uma semana após o parto.

A aneuploidia – número anormal de cromossomos – do cromossomo 21 resulta principalmente da não-disjunção dos cromossomos durante a meiose I. Ao contrário do que normalmente ocorre, estes cromossomos permanecem unidos e são transportados juntos para um dos pólos que darão origem aos gametas. Quando a não-disjunção ocorre durante a meiose II, são as cromátides irmãs que permanecem unidas.

A não-disjunção pode ocorrer durante a meiose I, dando origem a dois gametas com trissomia, ou durante a meiose II, resultando em um único gameta com trissomia. Imagem traduzida de: Pearson Education Inc.

Este processo de não-disjunção é comum, podendo ocorrer em até 10% das meioses femininas. Porém, as chances de erros durante a meiose feminina aumentam drasticamente após os 35 anos de idade, aumentando os riscos de ocorrência de aneuploidia, especialmente as trissomias. Para compreender a relação da idade materna com a não-disjunção cromossomal, é necessário compreender o processo de ovogênese – processo de formação dos gametas – humana.

A ovogênese tem seu início ainda durante o período fetal, quando as células germinativas femininas iniciam os processos de mitose e crescimento celular. Quando chegam ao estágio de ovócito primário, todas as células reprodutivas cessam sua divisão, durante a prófase I da meiose. Com a menarca – primeira menstruação da mulher – os ovócitos primários completam o processo de meiose e, a cada mês, vão sendo liberados.

Assim, durante aproximadamente 45 anos, os ovócitos primários finalizam o processo meiótico e são liberados durante a ovulação – mais corretamente denominada ovocitação. Acredita-se que, com o passar dos anos, estes ovócitos tornam-se mais “velhos”, e, com isto, aumentam as chances de ocorrência de erros durante a meiose. Fatores que podem alterar-se com o passar do tempo e contribuir para a ocorrência de erros são a destruição das fibras cromossômicas ou a deterioração dos centrômeros – região que prende o cromossomo ao seu fuso.

Relação entre a idade materna e a proporção de crianças nascidas com trissomia no cromossomo 21. Imagem traduzida de: Pearson Education Inc.

Além disso, em muitos casos de ocorrência de aneuploidias, o próprio organismo percebe o erro ocorrido e tende a abortar espontaneamente o embrião, uma vez que sua viabilidade é muito mais baixa. Esta capacidade de aborto pode ser diminuída, porém, em mulheres de maior idade, o que também contribui para o aumento na quantidade de crianças nascidas com trissomias.

Como já comentado anteriormente, erros meióticos ocorridos durante a formação dos gametas não são encontrados apenas em indivíduos do sexo feminino. A ocorrência de trissomias devido a erros na meiose masculina, porém, possui uma prevalência muito mais baixa na população, e é, por este motivo, muito menos estudada pela ciência.

Foto capa: Tatiana Vdb (Flickr)

Fonte: National Institutes of Health e Portal de Periódicos da UEM.


 

A Síndrome de Down pode aparecer na sua prova do ENEM ou demais vestibulares relacionada a diversas  áreas da biologia. Veja abaixo uma questão discursiva que caiu no vestibular da UNIFESP justamente sobre como a síndrome pode ocorrer através na não-disjunção do cromossomo 21.

A Síndrome de Down caracteriza-se pela presença de um cromossomo 21 a mais nas células dos indivíduos afetados. Esse problema pode ser decorrente da não-disjunção do cromossomo 21 em dois momentos durante a formação dos gametas. Considerando a ocorrência de tal não-disjunção, responda.

a) Em quais momentos ela pode ocorrer?

b) Utilize os contornos a seguir para representar uma das duas possibilidades, indicando na lacuna pontilhada qual delas foi escolhida para ser representada.

 

Resposta:

a) A não disjunção cromossômica pode ocorrer na primeira ou na segunda divisão da meiose.

b) Observe os esquemas adiante:

 

Se você quiser entender mais sobre os mecanismos que levam a anomalias cromossômicas que causam síndromes como a síndrome de Down, não deixe de assistir a esta aula fresquinha do Biologia Total clicando aqui! Mas é só para assinantes! Então, se você ainda não é um JubiAluno, não perca mais tempo e assine agora mesmo clicando aqui!




Confira também

  • Terapia anti-idade: método de alongamento de telômeros

    LEIA MAIS
  • Síndrome de Patau: você conhece esta síndrome?

    LEIA MAIS
  • Descobertas recentes sobre a síndrome de Down abrem portas para novas terapias!

    LEIA MAIS
  • Vencendo os limites de uma síndrome

    LEIA MAIS