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Pessoas sem o dente do siso são mais evoluídas?

31 de Maio de 2017

Houve uma época em que a "versão pré-histórica" da nossa espécie, além de não andar ereta, também tinha uma mandíbula que acomodava confortavelmente todos os 32 dentes, incluindo os terceiros molares, mais conhecidos como dentes do siso. As mandíbulas do homem primitivo eram maiores e refletiam o papel vital que os dentes desempenhavam para a sobrevivência. A obtenção e mastigação dos alimentos eram muito mais difíceis: carnes cruas, ausência de fogo e de talheres faziam dos dentes ferramentas essenciais. Sem contar que, na época, os membros superiores estavam ocupados na locomoção ou sustentação do corpo e, portanto, não tinham muita função na alimentação.

Como os homens pré-históricos não visitavam dentistas e não possuíam hábitos de higiene bucal, perder dentes não era algo incomum. Assim, o terceiro molar poderia funcionar como um substituto quando os outros dentes anteriores eram danificados ou perdidos.

Ao longo do tempo evolutivo, determinados genes podem ter sido mantidos, sofrido mutações, ou mesmo ter desaparecido – de forma aleatória ou por meio de seleção natural –, originando assim mudanças no nosso corpo.

Com o aumento do cérebro que os humanos sofreram durante a sua evolução, a mandíbula sofreu uma redução, diminuindo o espaço disponível para os dentes. Enquanto isso, o homem estava criando ferramentas – incluindo utensílios para cozinhar – e desenvolvendo modos para lidar com o fogo e amaciar alimentos, o que diminuiu a dependência dos dentes para a alimentação.

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Com a redução do tamanho da mandíbula e maxila, o espaço para o siso foi reduzido. Créditos: Universidade de Utah.

Não é incomum conhecermos pessoas sem algum ou nenhum dos dentes do siso. No caso dos terceiros molares, a ausência deles parece ser resultado de uma mutação que impede sua formação.  Esta ausência pode ter sido vantajosa no tempo em que não havia dentistas, e por isso ela pode ter se mantido. Com pouco espaço para crescer, alimentos eram acumulados junto aos dentes, podendo causar infecção inflamação. Imagine a indisposição que os problemas com o siso podiam causar – e podem até hoje –, dificultando a alimentação e até a reprodução.

Então, já que através da evolução o siso não se fez mais muito necessário, podemos considerar as pessoas que nasceram sem este dente mais evoluídas? Será que futuramente os humanos não o terão mais?

Primeiro precisamos esclarecer que, do ponto de vista conceitual, nenhum organismo ou espécie é mais evoluído que outro! Se todos os seres vivos compartilham um único ancestral comum, a linhagem de todos eles possui o mesmo tempo de evolução. A diferença é que algumas espécies divergiram mais e outras menos!

Embora diferentes linhagens tenham divergido mais que outras, todos os organismos viventes são igualmente evoluídos.  Créditos: Reprodução.

Então a resposta para a primeira pergunta é: NÃO, as pessoas sem o dente do siso não são mais evoluídas!

Com relação à segunda pergunta, alguns especialistas acreditam que o dente possa sim desaparecer. Porém, é difícil traçar um panorama seguro sobre o futuro do siso, já que atualmente a falta dele não pode ser considerada uma vantagem evolutiva, e, portanto, não há uma pressão seletiva atuando para que esta característica desapareça (e nem para que ela seja mantida). Isto é, pessoas sem este dente não possuem maiores (nem menores) chances de sobreviver e se reproduzir e de, consequentemente, passar para sua prole a mutação que determina a ausência do siso.

O que sabemos é que os dentistas vão continuar torcendo para que o dente continue presente e que continuem a receber por esse procedimento que é o pesadelo de muitas pessoas!

Os dentistas continuarão torcendo para os seus dentes sisos estarem presentes! Foto: Conor Lawless.

Fonte: Science Line

 




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