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Parkinson pode ser uma doença autoimune que começa no intestino

27 de Junho de 2017

A Doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa do sistema nervoso central que é causada pela diminuição intensa de dopamina, uma substância química que ajuda na transmissão de mensagens entre nossas células nervosas. A dopamina auxilia na realização dos movimentos voluntários do nosso corpo, para que a gente não precise pensar nos movimentos musculares, por exemplo. A medida que ela diminui, a pessoa perde o seu controle motor, ficando com tremores, rigidez e dificuldades nos movimentos. Muitos estudos são realizados buscando a cura ou uma pausa da doença, e evidências publicadas em dois estudos recentes apontam que o Parkinson pode ser uma doença autoimune que começa dentro das nossas barrigas, e não no cérebro.

O primeiro trabalho foi realizado a partir de registros de pacientes que já foram submetidos à vagotomia troncular, cirurgia em que o nervo vago é retirado por completo. O nervo vago liga o trato digestivo ao cérebro e é responsável pelo controle de vários processos, como a frequência cardíaca e a digestão. Através do acompanhamento de pacientes ao longo de 5 anos, os pesquisadores observaram e concluíram que pessoas que tiveram o nervo vago retirado por completo, estavam 40% menos propensas a desenvolver a Doença de Parkinson. Além deste resultado, testes realizados recentemente em camundongos, demonstraram que a presença de certas bactérias intestinais aponta uma maior probabilidade de desenvolver a doença de Parkinson. Após análises e muitos estudos, os pesquisadores levantaram a hipótese de que a Doença de Parkinson surge no intestino e está associada a um erro genético durante o dobramento das proteínas intestinais, que acabam indo para o cérebro.

De acordo com estudos recentes, a Doença de Parkinson surge no intestino e está associada a um erro genético durante o dobramento das proteínas intestinais, que acabam indo para o cérebro. Crédito: Anatomy Insider | Shutterstock

No segundo estudo, pesquisadores relataram que as células T – células de extrema importância em nosso sistema imunológico –, atacam a alfa-sinucleína, uma proteína do cérebro. Isto quer dizer que o sistema imunológico de quem sofre da doença de Parkinson, identifica a proteína como um invasor estranho, e a ataca para defender o organismo. Este tipo de mecanismo é o mesmo encontrado em doenças autoimunes bem conhecidas na ciência, como lúpus e diabetes mellitus tipo 1. Embora muitos cientistas já suspeitassem que o Parkinson poderia estar envolvido com o sistema imunológico, esta é a primeira vez que isto é evidenciado em pesquisas e experimentos.

Mais pesquisas serão necessárias para que as descobertas destes novos estudos sejam completamente entendidas, e quem sabe até relacionadas. O Parkinson é uma condição complexa e somente quando os pesquisadores souberem exatamente como ele surge, será possível bloquear a fonte para controlar e pausar a doença.

Fonte: Nature, Neurology, The Lancet Neuroloy,


 

Questões sobre doenças neurodegenerativas podem aparecer no seu vestibular ou no ENEM. Confira uma questão que caiu no vestibular da CFTRJ:

Algumas doenças neurodegenerativas podem ser resultado da degradação progressiva da bainha de mielina dos neurônios pela ação do próprio sistema de defesa. Um exemplo é a adrenoleucodistrofia (ou ALD), uma doença hereditária na qual os portadores apresentam um acúmulo de grandes quantidades de um determinado tipo de gordura nos neurônios, o que estimula o ataque por leucócitos do próprio organismo. Outro exemplo de doença desmielinizante é a esclerose múltipla (figura a seguir) que apresenta características semelhantes à ALD, mas possui causas distintas. Embora os estudos já realizados não permitam uma conclusão definitiva, acredita-se que a esclerose múltipla tenha um componente genético, mas que a expressão da doença seja desencadeada pela ação de determinados micro-organismos.

A partir do texto lido e dos seus conhecimentos sobre tecido nervoso e doenças relacionadas, analise as seguintes afirmativas e aponte a que apresenta um ERRO:

a) Os neurônios, embora mais conhecidos, não são as únicas células encontradas no tecido nervoso. Encontramos também células que exercem outras funções, como nutrição, sustentação e proteção dos neurônios.   

b) Os danos à bainha de mielina dificultam a transmissão dos impulsos nervosos pelos neurônios, o que pode resultar, por exemplo, em problemas motores, de raciocínio e sensoriais.   

c) Leucócitos, ou glóbulos brancos, são as principais células do sistema de defesa do organismo. Por isso, as doenças citadas no texto podem ser caracterizadas como autoimunes.   

d) Ambas as doenças desmielinizantes citadas no texto possuem como causa a presença de um gene alterado herdado dos pais, não apresentando nenhuma influência do ambiente.   

 

Resposta: alternativa d. A alternativa d contradiz o texto porque não se sabe se a esclerose múltipla apresenta um componente genérico.




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