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Os vírus são seres vivos?

28 de Novembro de 2018

Afinal, os vírus são seres vivos ou não? De um lado alguns defendem que não e alegam que eles são seres inanimados, de outro, há evidências cada vez mais fortes de que os vírus são sim seres vivos.

Afinal, os vírus são seres vivos ou não? Essa é mais uma daquelas grandes questões da biologia que permanece sendo alvo de intensos debates e aos poucos a comunidade científica vai chegando a um consenso.

De um lado alguns defendem que não e alegam que eles são seres inanimados que necessitam de uma célula hospedeira para se reproduzirem, além de não possuírem uma estrutura celular – isso é o que você provavelmente aprendeu na escola. De outro, há evidências cada vez mais fortes de que os vírus são sim seres vivos. Vamos conhecê-las?

Um estudo publicado na Nature em 2008 mostrou que os chamados mimivírus – vírus gigantes que infectam bactérias – podem ser infectados por outros vírus chamados de Sputinik. O fato de que alguns vírus podem adquirir doenças causadas por outros vírus, portanto, é umas das evidências que contraria a ideia de que eles são seres inanimados.

Ainda, ao contrário da maior parte dos outros vírus, os mimivírus são capazes de produzir proteínas complexas – mais um ponto que reforça sua classificação como um ser vivo.

Cientistas também descobriram que os mimivírus possuem um sistema de defesa muito similar ao sistema CRISPR, encontrado em bactérias e outros microrganismos – isso mesmo, o sistema que deu origem à moderna técnica de edição de genoma. Vale lembrar que os vírus também compartilham um mesmo tipo de código genético com os organismos que chamamos de seres vivos.

Ilustração dos mimivírus, vírus que possuem características que levam os cientistas a questionarem se os vírus são mesmo seres inanimados. © nobeastsofierce | Shutterstock.

O compartilhamento de características com os seres considerados vivos leva os cientistas a crerem que os vírus fazem parte da chamada árvore da vida e dividem com os seres vivos também uma história evolutiva. Um estudo de 2015 publicado na Science Advances também encontrou evidências que suportam a hipótese de que eles são entidades vivas que compartilham uma história evolutiva com as células que conhecemos hoje.

Por isso, considerando a definição de seres vivos que sempre aprendemos na escola, poderíamos dizer que os vírus estão no meio do caminho entre os seres vivos e não vivos, numa espécie de zona cinzenta. Isto é, apesar deles possuírem várias características que podem caracterizá-los como seres vivos, eles não possuem todas as necessárias!

Em casos como este, cabe aos cientistas rever estes limites – a definição do que é um ser vivo, por exemplo – afinal, a biologia não é uma ciência exata e sempre há exceções. Os vírus parecem ser uma delas. Todas estas evidências encontradas levam a crer que os vírus são sim seres vivos, porém desprovidos de células. Atualmente, grande parte da comunidade científica já reconsidera a reclassificação destes organismos e parece que estamos caminhando rumo à sua inclusão definitiva no seleto grupo dos seres vivos!

Fontes: Nature 2008Science Advances 2015Nature 2016.


 

"E se este assunto cair no vestibular? O que responder? O que fazer?"

Não há motivo para pânico! Em primeiro lugar, olhe o edital do vestibular que você vai prestar e veja o que o livro indicado considera. A 3ª edição do Amabis e Martho, por exemplo, já considera os vírus como seres vivos.

Além disso, um vestibular bem preparado dificilmente vai te perguntar de forma descontextualizada se os vírus são seres vivos, especialmente por se tratar de um assunto tão polêmico da biologia. As questões que abordarem este assunto virão, provavelmente, acompanhadas de uma contextualização e é a ela que você deve se ater.

Confira abaixo duas questões que já apareceram no vestibular da FUVEST sobre o assunto. Note que, em nenhuma das questões, a FUVEST se “posiciona”. Na questão de 2010, embora a alternativa correta afirme que os vírus não são seres vivos, o enunciado fornece características atribuídas aos seres vivos que o aluno deve se basear para responder a questão. Por isso, bastava saber que os vírus não são constituídos por células para acertar! Já na prova de 2008, a FUVEST pediu que fosse assinalada a alternativa que continha o argumento correto que pode ser usado para apoiar a ideia de que os vírus são seres vivos. Portanto, tudo é uma questão de contexto. É só ter atenção no enunciado que não terá erro! :)

(2010) Considere as seguintes características atribuídas aos seres vivos:

I. Os seres vivos são constituídos por uma ou mais células.

II. Os seres vivos têm material genético interpretado por um código universal.

III. Quando considerados como populações, os seres vivos se modificam ao longo do tempo.

Admitindo que possuir todas essas características seja requisito obrigatório para ser classificado como “ser vivo”, é correto afirmar que

a) os vírus e as bactérias são seres vivos, porque ambos preenchem os requisitos I, II e III.

b) os vírus e as bactérias não são seres vivos, porque ambos não preenchem o requisito I.

c) os vírus não são seres vivos, porque preenchem os requisitos II e III, mas não o requisito I.

d) os vírus não são seres vivos, porque preenchem o requisito III, mas não os requisitos I e II.

e) os vírus não são seres vivos, porque não preenchem os requisitos I, II e III.

Resposta: alternativa c. De acordo com o texto, o vírus não é um ser vivo porque não apresenta uma estrutura celular.

(2008) Um argumento correto que pode ser usado para apoiar a ideia de que os vírus são seres vivos é o de que eles

a) não dependem do hospedeiro para a reprodução.

b) possuem número de genes semelhante ao dos organismos multicelulares.

c) utilizam o mesmo código genético das outras formas de vida.

d) sintetizam carboidratos e lipídios, independentemente do hospedeiro.

e) sintetizam suas proteínas independentemente do hospedeiro.

 

Resposta: alternativa c. O código genético é universal; vale para todos os seres vivos, até mesmo para os vírus.




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