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Doar sangue faz bem para o coração (de quem precisa)!

14 de Junho de 2017

Hoje, dia 14 de junho, é o dia mundial do doador de sangue. A data além de homenagear as pessoas que ajudam a salvar vidas em todo o mundo, é a data do aniversário de Karl Landsteiner, médico e biólogo austríaco responsável pela descoberta do sistema sanguíneo ABO. Campanhas publicitárias são feitas anualmente para que os estoques em hemocentros – instituições públicas ou privadas com o objetivo de fornecer sangue a quem precisa – não fiquem em baixa. Com toda a divulgação que acontece nas mídias e nas redes sociais, você já parou para pensar na importância que o seu sangue pode ter na vida de alguém? Acredite se quiser, mas o sangue de uma pessoa já foi o responsável por salvar milhões de vidas...

Crédito: Lumen Photos | Shutterstock.

Parece impossível, mas isso aconteceu com um australiano que possuía anticorpos exclusivos no seu sangue. Nos últimos 60 anos, James Harrison realizou doações de sangue a cada 3 semanas (ainda que este não seja o intervalo ideal para as doações), e ajudou a salvar a vida de 2 milhões de pessoas. Na década de 60, os médicos descobriram que o sangue de James carregava um anticorpo raro que impedia que mulheres com sangue Rh-, desenvolvessem anticorpos contra os seus filhos. O fator Rh é um antígeno – substâncias que ao entrar no organismo são capazes de iniciar uma resposta imune – de grande importância clínica, principalmente durante transfusões sanguíneas. Naquela época, milhares de bebês tinham complicações e morriam a cada ano no momento do nascimento, já que tinham suas hemácias destruídas como uma forma de defesa corporal da mãe. Essa condição é conhecida como Eritoblastose Fetal ou Sensibilidade Materno-Fetal.

A Eritoblastose Fetal pode acontecer com uma criança Rh+, filha de uma mulher Rh-. No momento do parto, ocorre a passagem de hemácias do feto (Rh+) para o sangue da mãe (Rh-). O organismo materno entende que está sendo invadido e passa a produzir anticorpos. Essa grande quantidade de anticorpos é passada para a criança através da circulação fetal, e acaba destruindo suas hemácias, células responsáveis pelo transporte de gases aos tecidos. A partir do sangue de James, foi possível criar uma injeção que impedia esta condição quando utilizada, e ajudava as mulheres grávidas a terem seus bebês de forma segura. Curiosamente, este sangue tão precioso pode ter adquirido estes anticorpos através das transfusões de sangue que James recebeu quando era criança, durante a realização de uma cirurgia pulmonar.

Mesmo sendo uma nobre causa, as taxas de doações de sangue só aumentam em países de alta renda. Para impedir o declínio no número de doadores de sangue, a Suécia adotou uma tática para incentivar e encorajar as pessoas que já doaram sangue, a fazê-lo novamente. Foi desenvolvido um serviço automatizado de mensagens de texto: no momento da doação, o doador já recebe uma mensagem de agradecimento. Em um outro momento, o doador receberá uma mensagem toda vez que o seu sangue for administrado a algum paciente. O programa que foi adotado há alguns anos teve um retorno muito positivo, já que fornece um sentimento de satisfação aos doadores, ao mesmo tempo que mostra a importância de cada uma das contribuições.

O serviço automatizado de mensagem de textos envia mensagens aos doadores no momento da doação e toda vez que o seu sangue for administrado a algum paciente. Crédito: Rawlpixel.com | Shutterstock

Não só no dia de hoje, mas em todos os demais dias do ano, você não precisa doar sangue por 60 anos para mudar o mundo e ajudar milhões de pessoas. Lembre-se apenas que doar sangue faz bem para o coração (de quem precisa dele)! Afinal, há melhor sensação do que fazer diferença na vida de uma pessoa?

Fonte: Portal Saúde, Science Alert (I),  Science Alert (II).


 

Questões sobre sistemas sanguíneos podem aparecer no seu vestibular ou no ENEM. Confira uma questão que caiu no vestibular da UEMG:

Ana Júlia está super preocupada porque ouviu dizer que, sendo ela Rh+ (negativo) e seu namorado Emílio Rh+ (positivo), não poderiam se casar e nem ter filhos, porque, senão, todos eles nasceriam com a doença hemolítica eritroblastose fetal, que os mataria logo após o nascimento.

Do ponto de vista biológico, o melhor aconselhamento que poderia ser dado a Ana Júlia seria: 

a) Não se preocupe porque a informação está totalmente incorreta. Risco de nascerem bebês com a doença hemolítica eritroblastose fetal só existiria se vocês dois fossem Rh- (negativo).

b) Realmente, o que você ouviu dizer está correto e vocês não podem ter filhos, porque todos eles apresentariam a doença hemolítica eritroblastose fetal e morreriam, durante a gestação, ou logo após o parto.    

c) Não se preocupe porque a informação está completamente errada. O risco de nascer criança com a doença hemolítica eritroblastose fetal não está relacionado com o fator Rh, mas com o fator ABO, podendo ocorrer quando o pai for do grupo AB e a mãe do grupo O.    

d) Realmente, essa situação favorece a ocorrência de eritroblastose fetal em bebês que sejam Rh+ (positivo). Porém vocês podem perfeitamente se casarem e terem filhos, desde que seja feito um pré-natal adequado, com acompanhamento médico, que deverá tomar todas as medidas de profilaxia ou tratamento, se for necessário.   

 

Resposta: alternativa d. Para o casal Júlia (Rh-) e Emílio (Rh+) existe o risco da ocorrência de filhos Rh+ com eritroblastose fetal, caso não seja feito um pré-natal adequado, com acompanhamento médico. Existem medidas profiláticas e terapêuticas que evitam o desenvolvimento da doença hemolítica do recém-nascido.  




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